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Avaliação Psicológica Online

     Alguns meses antes da pandemia do COVID-19 se instaurar no Brasil e no mundo, a Expertise promoveu um Expertise Hour com o psicólogo e amigo Me. Luan Paris Feijó sobre a temática: “Avaliação psicológica online: é possível?” A discussão foi um tanto profética e também bastante construtiva, porém, na ocasião, o grupo de psicólogos concluiu que naquele momento a resposta à questão era um categórico ‘NÃO’, a avaliação psicológica online não era possível!

     A necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia fez emergir de forma definitiva e premente essa discussão. Grupos de pesquisadores brasileiros preocupados com a forma como as avaliações psicológicas seriam conduzidas na modalidade online publicaram materiais (Marasca et al. 2020; Schneider et al. 2020) contendo orientações de boas práticas para os psicólogos e que foram referendadas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2020).

   Em comum a todas as literaturas citadas, pode-se afirmar que: 1) A avaliação psicológica online ainda é limitada a alguns contextos pontuais; 2) Existem poucos instrumentos construídos e adaptados para a aplicação online ou remota; 3) Planejar uma avaliação híbrida, integrando encontros presenciais é uma tendência; 4) Analisar os riscos e benefícios de realizar a avaliação psicológica online é responsabilidade do psicólogo; 5) Existem padrões mínimos de proteção de confidencialidade de informações de saúde que devem ser respeitados para a execução do processo em segurança.

    A presença de diferentes aspectos da tecnologia nos processos de avaliação psicológica online parece ter vindo para ficar. A profusão de plataformas e serviços online de psicólogos é uma das provas do seu amplo desenvolvimento. Um ponto fundamental para expandir essa área em nosso país é a contínua aplicação dos referenciais da ciência psicológica na prática do psicólogo, primando sempre por uma atuação profissional ética e responsável!

 

Marasca, A. R. et al. (2020). Avaliação psicológica online: considerações a partir da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) para a prática e o ensino no contexto a distância. Estudos de Psicologia (Campinas), 37, e200085. Epub June 05, 2020.https://doi.org/10.1590/1982-0275202037e200085

Schneider, A. M. de A. et al. (2020). Boas Práticas para a Avaliação Psicológica Online, 26 pp. [e-book] Porto Alegre: GEAPAP/UFRGS. ISBN 978-65-00-04227-6

Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2020). Cartilha de Boas Práticas para avaliação psicológica em contextos de pandemia, 37 pp. [recurso eletrônico]. Conselho Federal de Psicologia e Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica: Brasília: CFP. ISBN 978-65-86540-85-7.

Por Joice Dickel Segabinazi

Visitas Assistidas: o que são e para que servem?

   Você já ouviu o termo "visitas assistidas"? Elas têm se tornado uma prática habitual naqueles contextos em que há dúvidas quanto à garantia do direito de convivência de crianças e/ou adolescentes junto a seus familiares. Vamos a alguns exemplos: situações de suspeita de abuso sexual intrafamiliar, casos de alienação parental, reaproximação de pais-filhos diante de relações fragilizadas por um abadono afetivo. Tais exemplos ilustram a demanda pela necessidade do acompanhamento de um profissional (usualmente da Psicologia ou Serviço Social) durante os momentos de convivência materno-filial ou paterno-filial.

    Mas qual seria o objetivo desse acompanhamento? O profissional deve buscar garantir um ambiente seguro e acolhedor para a criança durante o período de convivência com seu genitor/a. A criança não deverá estar exposta a riscos a sua integridade física e/ou psicológica, e o profissional que acompanha esses encontros poderá, ainda, auxiliar adultos e crianças nessa retomada do vínculo. Isso porque, usualmente, as situações que se enquadram na demanda de visitação assistida envolvem relações fragilizadas por um afastamento/impedimento de convívio (esse justificado por razões diversas). O psicólogo/a ou assistente social poderá promover intervenções com o objetivo de auxiliar no manejo desses encontros, evitando, por exemplo, desqualificações de outros familiares para a criança.

   As visitas podem ocorrer em ambiente forense (se assim determinado), em locais públicos (praças, shoppings) ou na residência do genitor. É importante que o profissional que desempenha essa tarefa produza relatórios desses encontros, com o objetivo de descrever ao juiz sobre a evolução das visitas, podendo emitir orientações e/ou encaminhamentos que se fizerem necessários. Cabe observar que as visitas assistidas podem ser uma ferramenta útil e importante para a manutenção e/ou preservação de relacionamentos sadios, com a garantia de um ambiente seguro para a criança, entretanto, essas devem ocorrer por um período determinado, sob pena de perderem seu objetivo. Visitação assistida não é mediação, não é perícia, não é psicoterapia!

Por Vivian de Medeiros Lago

Avaliação Psicológica no contexto forense

  A prática da avaliação psicológica constitui função privativa do/a psicólogo/a, sendo demandada em diferentes contextos da atuação em Psicologia. A avaliação pode ser compreendida como um processo de investigação de fenômenos psicológicos, a partir de variadas demandas, sendo realizada por meio de diferentes procedimentos, como entrevistas, técnicas e testes psicológicos, com o intuito de prover informações para uma tomada de decisão (CFP, 2018)*.

   No contexto forense, a avaliação psicológica se constitui como uma das principais práticas da Psicologia. Nesse cenário, as demandas avaliativas podem advir das áreas cível e criminal, nos casos em que o entendimento de características psíquicas dos envolvidos é relevante para o desfecho da ação. O principal objetivo da avaliação psicológica forense consiste, portanto, em responder a uma demanda legal, por meio do entendimento dos fenômenos psicológicos relativos ao caso em questão.

    A avaliação psicológica realizada no contexto forense, a partir da nomeação do/a psicólogo/a no processo, recebe o nome de Perícia Psicológica Forense. Contudo, é importante pontuar que a atuação do profissional de Psicologia, no que tange às práticas avaliativas, pode ocorrer de três principais formas: como perito/a oficial, sendo nomeado/a pelo/a magistrado/a para a realização de uma avaliação psicológica pericial; como assistente técnico, sendo contratado/a por uma das partes para prestar assessoria quanto à perícia; ou como psicólogo/a avaliador(a), sendo contratado/a para realizar uma avaliação psicológica para fins jurídicos.

    Pode-se identificar que as demandas para avaliação psicológica são cada vez mais frequentes e presentes no contexto jurídico, nos âmbitos do sistema de justiça cível e criminal. Sendo assim, é importante ao profissional com interesse em atuar nessa área a busca constante por atualizações e aprimoramento, com o intuito de qualificar sua prática no contexto forense.


* CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 09/2018. Brasília: CFP, 2018.

Por Sarah Reis Puthin

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